Falta apenas um dia para o arranque do Sol da Caparica 2026 e a organização garante que está tudo preparado para receber milhares de pessoas no Parque Urbano da Costa da Caparica. Na conferência de imprensa realizada esta terça-feira, o festival apresentou os últimos detalhes de uma edição que ficará também marcada por um reforço das medidas de sustentabilidade, numa altura em que Almada atravessa uma situação particularmente sensível no que toca à disponibilidade de água.

O promotor André Sardet assumiu desde logo que esta será uma edição diferente. Para além de um cartaz que a organização diz apresentar “com muito orgulho”, o festival decidiu rever vários procedimentos internos para reduzir ao máximo o consumo de água potável.

Entre as medidas adotadas está a substituição da água da rede utilizada nos lastros das grandes estruturas por água não potável, usada para garantir a estabilidade de palcos e restantes equipamentos. Em alguns casos, foram também utilizadas bases de cimento para reduzir ainda mais essa necessidade.

As casas de banho são outra das áreas onde houve alterações. O caudal de água foi reduzido e o número de instalações sanitárias químicas, que não necessitam de ligação à rede, foi aumentado. Nos autoclismos convencionais, a organização recorreu ainda a uma solução simples: colocou garrafas de 1,5 litros dentro dos depósitos para diminuir a quantidade de água utilizada em cada descarga.

Até as torneiras foram ajustadas. “Se forem lavar as mãos e virem que a torneira tem pouco caudal, não é uma avaria. Foi uma das medidas que tomámos”, explicou André Sardet.

O responsável garantiu ainda que a loiça utilizada nas refeições dos artistas e das equipas não será lavada no concelho de Almada, uma prática que, segundo explicou, já vinha sendo adotada em edições anteriores.

A sustentabilidade terá também presença direta junto do público. Pela primeira vez, O Sol da Caparica vai contar com o sistema Volta, incentivando a entrega correta de garrafas e embalagens para reciclagem. Para André Sardet, o festival deve aproveitar a dimensão que tem para chamar a atenção para a preservação de recursos que pertencem a todos, em particular a água.

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, reforçou que o festival nunca foi um grande consumidor de água, mas considerou importante que a situação atual sirva para criar hábitos que permaneçam no futuro.

A autarca defendeu que as medidas agora implementadas não devem desaparecer quando a situação regressar à normalidade. A ideia, explicou, é continuar a viver normalmente, mas com uma consciência maior de que a água é um recurso limitado.

Apesar do contexto, a mensagem deixada pela organização e pelo município é clara: o festival mantém toda a sua dimensão de celebração.

“O Sol é também um momento de festa, um momento de reencontro”, afirmou Inês de Medeiros, destacando a capacidade da Costa da Caparica para receber visitantes e o crescimento de um festival que tem conseguido conquistar públicos mais jovens sem perder o carácter familiar.

A presidente da Câmara rejeitou também qualquer ideia de que o evento pudesse deixar de realizar-se, sublinhando o orgulho que existe no concelho em torno do festival e o impacto que este já tem muito para além de Almada.

“É um ponto de encontro fundamental”, afirmou, lembrando que O Sol da Caparica recebe público de toda a Península de Setúbal e cada vez mais visitantes da Margem Norte.

Entre as novidades musicais destacadas durante a apresentação está também Diego Gonzalez, que atua no Palco Sagres. O jovem DJ foi apresentado por André Sardet como “o DJ mais pequeno do mundo”, acrescentando, em tom descontraído, que espera que no festival se torne “o maior do mundo”.

O Sol da Caparica começa esta quinta-feira, 13 de agosto, e prolonga-se até 16 de agosto, com quatro dias de música, festa e uma edição em que a preocupação ambiental terá um peso maior do que nunca.

12 de Agosto, 2026