O voluntariado pode ser uma experiência gratificante para os jovens, mas nem sempre está livre de dificuldades. Um estudo realizado em Portugal revela níveis elevados de satisfação entre os participantes, ao mesmo tempo que alerta para os riscos de exaustão emocional, sobretudo em atividades de longa duração e de apoio social.

A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto europeu VOLU-MENT – Mental Health Through Volunteering, financiado pelo programa Erasmus+, e contou com a participação de 88 voluntários em Portugal. Os resultados mostram uma satisfação média de 6,4 numa escala de 7 pontos, com 57% dos inquiridos a atribuírem a classificação máxima à sua experiência.

Apesar destes resultados positivos, o relatório identifica situações de desgaste emocional, especialmente entre quem trabalha diretamente com pessoas em situações de vulnerabilidade. A exposição prolongada a contextos difíceis pode provocar aquilo a que os investigadores chamam «fadiga por compaixão», uma forma de esgotamento associada ao esforço emocional de ajudar os outros.

A importância do acompanhamento é outro dos pontos destacados. 72% dos participantes consideram essencial o apoio de um mentor ou coordenador para lidar com os momentos mais difíceis. O estudo mostra ainda que a relação entre voluntários desempenha um papel importante no bem-estar emocional, ajudando a reforçar a confiança, o sentimento de pertença e a capacidade de ultrapassar dificuldades.

Perante estes resultados, o projeto apresenta um plano de ação que propõe formação de coordenadores em primeiros socorros psicológicos, criação de espaços de partilha entre voluntários e modelos de voluntariado mais flexíveis, que permitam conciliar estas atividades com os estudos e a vida profissional.

O relatório, elaborado pela Embaixada da Juventude, reforça a necessidade de as organizações prestarem maior atenção ao bem-estar psicológico de quem dedica parte do seu tempo a ajudar os outros.

Fonte: Embaixada da Juventude – Projeto VOLU-MENT

23 de Outubro, 2026